Referência obrigatória em assuntos de Relações Públicas e pioneira nos estudos de Comunicação Organizacional no Brasil, Margarida Kunsch ministrou a palestra “Comunicação Estratégica”, às 19h no edifício Paulo Freire. A atual presidente da Confederação Íbero-americana de Comunicação e livre-docente da Universidade de São Paulo (Usp) trouxe questões para reflexão e ideias para otimizar a comunicação das organizações.
Por fim, a mais nova edição da revista RP Alternativo, desenvolvida pelos alunos, foi lançada. Com manchete de capa “Política de Comunicação nas organizações”, o impresso chegou ao seu 19º ano e à sua 38º edição com tiragem de 1.000 exemplares. O prof. Dr. Esnel Fagundes foi o responsável pelo projeto deste ano e o estudante Alexssandro Rodrigues, o editor.
O IV Mix de Comunicação também abriu suas inscrições para estudantes das outras habilitações de Comunicação (Jornalismo e Rádio e Tv). O evento foi organizado pela turma de 5º período de Relações Públicas.
Papos Sérios

Em “Perspectivas da Comunicação no contexto das organizações Contemporâneas”, a Profa. Dra. Ivone de Lourdes Oliveira (PUC-MG) fez questão de sublinhar que comunicação não é ferramenta. “A palavra ferramenta está ligada só ao fazer, e comunicação vai além disso, tem o pensar”, disse. Como exemplo, ela questionou o modelo seguido por boa parte das assessorias de comunicação, que apenas repassa a informação ao cliente, sem interpretá-la e analisar seu contexto. “Informação é diferente de comunicação”, frisou.
No Maranhão pela segunda vez para participar do Mix (na primeira ela desenvolveu o tema “Comunicação Estratégica”), a professora também deu pinceladas sobre o “Paradigma Relacional”, no qual a comunicação é compreendida como um processo multifacetado e contextualizado, que visa a interação entre pessoas/grupos. Este conceito vai de encontro ao antigo modelo emissor – mensagem – receptor que já estaria “ultrapassado, pois ninguém garante que a mensagem chega igual a todos”.

Na discussão “Pesquisa e Auditoria de Mídia”, a Profa. Dra. Cláudia Moura (PUC – RS), por sua vez, ressaltou a escassez de metodologias de pesquisa específicas da comunicação. “Geralmente utilizamos as das ciências sociais, letras, história, administração e as adequamos. Não há muita gente pensando em criar as nossas próprias”. Ela também chamou atenção para o pouco interesse que os alunos demonstram pela pesquisa. “Eles têm receio da pesquisa, parecem não ter intimidade”, assinalou. Segundo ela, este fato acaba abrindo espaço para profissionais de outras áreas fazerem tais serviços. “É um setor que exige muito conhecimento técnico e metodológico, além de não ter aquela visibilidade direta. Acho que isso desestimula”.
Antes de Relações Públicas, Moura se formou em jornalismo e publicidade e propaganda, já tendo trabalhado em jornal, revista e agências de marketing. Ela conta que decidiu ingressar no terceiro curso ao trabalhar numa assessoria de comunicação e enxergar a partir daí a possibilidade de ter uma “visão de conjunto” na profissão. “Posso transitar por várias áreas, RP [Relações Públicas] me deu liberdade de atuação. Foi uma escolha do coração”.
O outro Papo Sério, “Comunicação para Mobilização Social”, foi realizado pelo Prof. Dr. Márcio Simeone (UFMG). Ele tem um projeto de extensão que, dentre outras coisas, realiza treinamento para empresas e atende demandas de ONGs e projetos do setor público. Simeone citou o projeto “Manuelzão”, da faculdade de medicina da UFMG, como exemplo. A iniciativa consiste em um esforço para revitalização da bacia do rio das Velhas. “Foi nossa primeira grande experiência e nosso trabalho foi fundamental para que houvesse um conhecimento dos públicos. A partir disso, foi possível ver como as pessoas enxergavam o projeto e que tipo de vínculo elas tinham e desejavam ter com ele”.
“Comunicação para Megaeventos”, com o Prof. Dr. Ricardo Freitas, foi cancelado devido a problemas pessoais do acadêmico.
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*Cinco perguntas rápidas para Margarida Kunsch:
1) Por que você escolheu Relações Públicas?
Sempre gostei muito de relacionamentos e vi que esse curso era o que mais podia contribuir para a formação que eu desejava.
2) Você já chegou a trabalhar no mercado ou sempre foi acadêmica?
Já fui auxiliar de relações públicas e contato de publicidade. Virei acadêmica depois, mas sempre busco interação, não fico só isolada, busco uma interface com o mercado. Faço consultorias, treinamentos, cursos de capacitação e reciclagem.
3) Qual a reclamação mais frequente que você ouve dos seus alunos de Relações Públicas?
Que às vezes pessoas que não são da área realizam a tarefa de um RP. Toda empresa precisa de um, há muito mercado. Os alunos precisam batalhar para terem esses espaços e também se preparar melhor.
4) Que conselho você daria para alguém que está entrando no curso e para quem está saindo?
Para quem está entrando, aproveite e estude muito. Faça muitas leituras e não se limite só à sala de aula. Pra quem está saindo, digo que há muitos desafios, e que é preciso continuar sempre estudando. Além do mais, é essencial ser humilde e ao mesmo tempo empreendedor.
5) Como você vê a Revista RP Alternativo?
Um símbolo de resistência e empreendedorismo. Ela se desafia a cada ano, é um projeto muito bem-sucedido e pioneiro no Brasil, nunca vi iniciativa vitoriosa como essa.
